Para muitos, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um quebra-cabeça de emoções intensas e relações turbulentas. No entanto, se pudéssemos apontar para uma peça central que organiza todo esse cenário, ela seria o esquema de abandono. Este não é apenas um medo, mas uma ferida primária que reverbera em quase todos os aspectos da vida de quem convive com o transtorno.
Aqui no blog do NuAPP, vamos mergulhar fundo neste tema, explorando como essa sensação de abandono, real ou percebida, se torna o epicentro de uma complexa teia emocional e comportamental.
Quando falamos em abandono, a primeira imagem que vem à mente pode ser a de uma ausência física: um pai ou mãe que foi embora. Contudo, no contexto do TPB, o abandono mais comum e devastador é o emocional.
É a criança que cresce em um lar com pais presentes fisicamente, mas ausentes em afeto, validação e atenção de qualidade. São pequenas cenas do cotidiano — um choro não consolado, uma conquista não celebrada, uma dor não compreendida — que, somadas, constroem um esquema robusto e profundo. A criança se sente invisível, e essa invisibilidade é a semente do abandono. Ela aprende que, mesmo rodeada de pessoas, pode estar completamente só.
O esquema de abandono raramente vem sozinho. Ele funciona como uma peça de dominó que, ao cair, derruba várias outras, criando uma rede de crenças disfuncionais:
Essa teia de esquemas explica por que a pessoa com TPB pode se manter em relações disfuncionais. O medo da solidão é tão avassalador que parece mais seguro suportar um relacionamento tóxico do que encarar a “morte” simbólica que o abandono representa.
As crenças geradas por esses esquemas se manifestam em comportamentos claros, que são tentativas desesperadas de evitar que a ferida do abandono seja tocada:
Tratar uma ferida tão central exige uma abordagem terapêutica focada e empática. A Terapia do Esquema é particularmente eficaz, pois vai direto à raiz do problema. O objetivo não é apenas gerenciar sintomas, mas curar as feridas da infância.
A estratégia central é a Reparentalização Limitada. O terapeuta se torna a figura estável, confiável e validadora que faltou na infância do paciente. Ele oferece a segurança necessária para que a pessoa possa, finalmente, construir um senso de identidade mais robusto e seguro.
Nesse processo, é fundamental:
Entender o esquema de abandono é fundamental para qualquer profissional ou pessoa que deseje compreender verdadeiramente o universo do Transtorno Borderline. É reconhecer que por trás da raiva, do ciúme e da instabilidade, existe uma criança ferida que tem um medo profundo de ser deixada para trás. E é oferecendo um olhar de validação e um porto seguro que a verdadeira cura pode começar.
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